UM HOMEM QUE DORME ENQUANTO DURA A VIAGEM AO REDOR DO SEU QUARTO, 2004 
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Elida Tessler Elida Tessler Elida Tessler Elida Tessler Elida Tessler Elida Tessler Elida Tessler Elida Tessler Elida Tessler Elida Tessler

Este trabalho foi apresentado pela primeira vez na exposição coletiva “LordPalaceHotel”, em São Paulo, SP, em 2004.

289 chaves e 289 identificadores de chaves, contendo uma palavra em cada um deles. Este trabalho foi concebido especialmente para participar do projeto “LordPalaceHotel” à convite do grupo Casa Blindada de São Paulo, e toma como ponto de partida a notícia do fechamento deste tradicional hotel, situado no centro da cidade. As palavras são retiradas de dois romances que tratam do mesmo tema: um homem que decide fechar-se, por tempo determinado, no interior de um quarto, dedicando-se às reflexões mais profundas em torno de nossos modos de constituir o contato com o mundo externo, confrontando-se com a própria subjetividade. São os livros: Um homem que dorme – de Georges Perec (RJ, Nova Fronteira, 1988) e Viagem ao redor do meu quarto – de Xavier de Maistre (Porto Alegre, Mercado Aberto, 1998).

Ao invés de ocupar um quarto ou outro espaço específico, a proposição deste trabalho é pontuar a chave como espinha dorsal do cotidiano de um hotel, com todas as metáforas possíveis acerca de aberturas e fechamentos, dos deslocamentos e da necessidade de pausa, de pouso, de repouso, de acolhimento. Todas as palavras retiradas do texto dizem respeito a esta situação de intimidade absoluta constituída na convivência do corpo com o espaço que habita. Como exemplo de palavras-chaves temos: olhos, sono, penumbra, detalhes, sombra, pálpebras, corpo, dobradiça, gaveta, escuridão, espaço, tempo, cama, café...

As chaves, com os identificadores, estarão colocadas nos quadros de chaves que situam-se na recepção do hotel que, por coincidência, possui exatamente 288 nichos. A idéia é de que cada um possa refazer um romance a partir destas palavras-chaves A chave que sobra deverá ficar depositada na caixa destinada à sinalizar a saída dos hóspedes. E como diz o ditado, “o último que sair, apague a luz e feche a porta”.

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